Nasci a poucos metros do Castelo de Guimarães, no antigo hospital .
O baptismo foi no santuário da Penha, onde o granito presta homenagem a Gago Coutinho e a Sacadura Cabral. A bola de sardinha e a malga de vinho também são lá servidos. Voltei muitos vezes ao monte da Penha enquanto pequeno acompanhando o meu avô das costeiras no transporte da nossa Senhora de Fátima. Eu é que inseria o cartucho da música na carrinha que transportava o andor de volta a Urgezes. Que tamanha responsabilidade! Maior só a vaidade.
Estudei na escola primária de Santa Luzia. Ainda há tempos passei perto da Capela de Santa Luzia e vi a senhora que em 1978 vendia guloseimas à porta da mercearia. Só as guloseimas são diferentes.
Fiz o liceu na escola Secundária Martins Sarmento e cheguei a escrever sobre as festas dos estudantes - as Nicolinas - no "Povo de Guimarães".
Depois fui para o Algarve por onze anos. O meu pai nasceu na rua do Forno, em Faro. Diz que as safatas saltavam da água duas e três de cada vez agarradas aos anzóis de uma pesca de miúdos, feita na estação de comboios. O meu avô era de Pechão. E gostava de berbigões abertos na chapa que era coisa por demais. O vinho acho que algarvio. Maduro de certeza.
Adoro Tavira. Foi nesta terra que pela primeira vez fui chamado de puto. O pescador só queria que eu soltasse a amarra da traineira. Mas eu levei a mal. O que é isso?! Puto, eu?! Que já saltava os muros da escola primária para ver o ouriço caixeiro!
"A vida ou a percebes ou....a tremoços", li num anúncio em Almancil em 1999. Eu prefiro os percebes da Costa Vicentina. E os caminhos compridos para as praias. Da Ria Formosa tenho saudades.
Entretanto rumei ao Norte e fiquei a trabalhar no Centro.
Na Gafanha da Nazaré o vento tem sido frio nestes seis invernos. Mesmo bom para secar o bacalhau de outros tempos. Bacalhoeiro a visitar: o museu Santo André. Os agora portadores do cartão jovem podem também pernoitar no Gil Eanes. Pousada testemunha da frota branca atracada em Viana do Castelo.
Mas é em Ílhavo que está o porto de pesca longínqua deste Portugal de pesca adiada da agenda da governança.
Já plantei uma árvore, escrevi um livro e tenho um filho que nasceu em Matosinhos. O pequeno foi baptizado na igreja da Nossa Senhora da Oliveira no centro histórico de Guimarães.
Olha! Já estamos de novo na cidade património da Humanidade. Vale a pena visitar.